REVIEW: Jean Grey (2017) – Um fim, mas também um recomeço!

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Após a Feiticeira Escarlate  retirar os poderes de 99% dos mutantes do mundo e quase levar a espécie à extinção, o retorno da Força Fênix à Terra foi visto como um fio de esperança para a sobrevivência dos mutantes, porém, isso acabou se tornando um pesadelo: Ciclope possuído pela entidade matou o Professor X. Os X-Men e os Vingadores precisaram se unir para detê-lo, e no final, quando tudo parecia estar perdido, o poder da Força Fênix foi dispersado e sua energia usada para trazer o renascimento dos mutantes.

Depois disso a maioria dos X-Men retornam para suas vidas normais, entretanto, Ciclope se tornou um fugitivo, um pária e um terrorista. Em 2013 na série “Novíssimos X-Men“, Hank McCoy, o Fera, para evitar que o pior acontecesse e para impedir que Ciclope se tornasse um genocida, decide fazer uma viagem no tempo para trazer os 5 X-Men originais jovens para o presente, para assim confrontarem Ciclope.

Com as versões jovens de CiclopeAnjoFeraHomem de Gelo e Garota Marvel no presente, nós acompanhamos o embate deles com as suas versões adultas: Ciclope vê que se tornou um terrorista, Fera descobre que se tornou azul, Anjo percebe que perdeu uma parte de si ao se tornar o Arcanjo, eventualmente temos o confronto do Homem de Gelo em relação à sua sexualidade. Entretanto, um deles não havia encontrado com a sua versão adulta: Jean Grey, afinal, a sua versão mais velha estava morta. Mas isso não significa que não houve um confronto, a jovem Jean Grey (chamada carinhosamente pelos fãs de Jeanzinha) teve que lidar com o fato dela e o Ciclope terem se casado e também com o fato de que ele traiu ela com a Emma Frost. E mais importante do que isso, teve que fugir da pressão do que a antiga Jean Grey foi e principalmente fugir da  sombra da Fênix, o que inclui saber que toda a sua família havia sido assassinada pelo Império Shi’ar e também ser levada a julgamento na tentativa de  impedirem que ela se tornasse a Fênix Negra.

No decorrer dessa série e em séries futuras nós vemos o desenvolvimento da Jeanzinha em relação ao uso dos seus poderes e também o quão forte ela pode ser enquanto uma mutante nível ômega, sem precisar da Força Fênix, incluindo o desenvolvimento de seus poderes em uma forma não vista anteriormente com a sua versão adulta e experiente: a forma psiônica.

Guardiões da Galáxia #13 (2012)

Guardiões da Galáxia #13 (2012)

Quando anunciaram que a Jeanzinha ganharia uma HQ solo, muitos dos fãs pensaram que este poderia ser um bom meio para desenvolver a personagem e mostrar o potencial dos seus poderes e da sua força. Mas como todos sabemos, o nome Jean Grey é fortemente ligado ao nome Fênix e não poderia ser diferente neste caso. Quando as primeiras imagens oficiais foram lançadas, logo ficamos sabendo que a minissérie seria em torno do pássaro de fogo. Ela mostraria a jovem Grey se preparando para enfrentar a entidade. Meses depois ficamos sabemos que o título também serviria para um propósito maior: preparar o retorno da Jean Grey adulta.

“Sou Jean Grey. É. Não. Não aquela Jean Grey. Sem Força Fênix por aqui. Nunca fui possuída por um pássaro de fogo intergalático ou recebi os poderes de um deus espacial. Quero dizer que nunca virei a Fênix Negra. Nunca destruí um planeta. Nunca tentei matar meus amigos. Também nunca morri nos braços idiotas do amor da minha vida. Um cadáver genocida, toda enfeitada de um vermelho trágico. Estou muito feliz por não ser aquela Jean Grey. A outra Jean. A que cresceu fodona, cheia de si. Ela é meu pesadelo. Sua vida… a vida que eu deveria ter… me deixa acordada por várias noites suando frio.” – Jean Grey #1

A primeira edição se inicia com Grey comendo ramen e refletindo sobre a sua vida atual e sobre o fato de viver à sombra da sua versão adulta, aquilo que ela deveria ser, a Jean que todos amavam, ou como os próprios personagens falam: a “verdadeira Jean“.  Logo em seguida, ladrões aparecem e ela se vê no papel de heroína e o de defender o pessoal. Mas o que importa realmente é o que acontece no final da edição: a aparição da Fênix.

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Assustada, ela decide ir em busca de ajuda e procura pelo Fera, que junto aos outros X-Men e à Capitã Marvel comenta que o ser cósmico está longe da Terra e por isso ela e todos os demais estão seguros. Ele acredita que se trata de estresse e todos duvidam do relato dela. Desacreditada, Jean Grey utiliza o Cérebro pra ir atrás de antigos hospedeiros da entidade e em seguida vai atrás de Esperança (Hope), Rachel (Prestígio), Magia, Colossus, Quentin Quire e Namor. Conversando com os antigos hospedeiros, ela espera entender o que a entidade pode querer com ela e também aprender a como se preparar, e mais importante, descobrir o que a experiência como hospedeiros significou para eles. No final ela descobre as marcas e os traumas que o pássaro cósmico deixou neles.

Ela continua a sua jornada indo atrás de Thor para aprender a como se tornar uma guerreira e também vai atrás de Psylocke para aprender a controlar a sua mente e assim conseguir usar os seus poderes de uma forma mais eficaz. Nesse período a jovem garota se sente perseguida por vozes e acredita estar ficando maluca, entretanto, Psylocke também escuta essas vozes e encoraja a jovem a descobrir do que se trata.

Chegamos na metade da minissérie. Na edição #6 ela vai em busca do Doutor Estranho para tentar descobrir a quem pertence a voz que a vem perseguido. Por meio de uma projeção astral, Jean entra em uma jornada interna e enfrenta os seus medos, os seus tramas, os seus conflitos em lidar com a vida que tinha no passado e a que tem agora no presente. E também entra em conflito com o seu maior pesadelo, a vida da antiga Jean Grey e a Fênix Negra:

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Ao final da jornada nós descobrimos quem é a dona da voz que vem perseguindo a jovem: a sua versão mais velha. Repararam que o fantasma da Jean Grey se parece com a Famke Janssen?

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A partir desse momento acreditamos que estamos nos preparando para a reta final da minissérie e também para a preparação de “Phoenix Resurrection“, que irá marcar o grande retorno da Jean Grey adulta, que aqui iremos chamar de Old Jean. Após essa edição o fantasma da Old Jean se torna um personagem regular até a penúltima edição da série. Inicialmente a ideia parecia interessante, finalmente tivemos o encontro da Jeanzinha com a Old Jean, algo que esperamos anos para acontecer. Mas o que poderia (e deveria) se tornar algo interessante acaba se tornando algo chato e massante. O contato entre as duas deveria ser o confronto da Jeanzinha com a mulher que representa o futuro que ela teme. Mas ao invés de um confronto, o que acontece na edição #7 é algo totalmente abaixo do esperado e brochante na realidade.

Desde que chegou ao presente a Jeanzinha passou anos ouvindo sobre quem a sua “eu” adulta havia sido. Ao invés de aproveitar o momento para entender quem realmente foi Jean Grey e pelo o que ela passou e como foi pra ela vivenciar tudo isso, o que ela faz? Passa a edição inteira ignorando e fugindo da Old Jean. Ao invés de aprender com a sua versão adulta, ela passeia com a Feiticeira Escarlate para aprender a acalmar a sua mente, chegando ao ponto de irem juntas para uma aula de culinária. Enquanto as duas se divertem, o fantasma da Old Jean segue vagando e seguindo as duas como um -perdão pelo trocadilho- encosto. Inclusive presenciamos inúmeros ataques de ciúmes da Old Jean por ser ignorada. Inclusive gerando alguns momentos de total infantilidade. No final da edição, cansada de ser ignorada, o fantasma possui o corpo da Jeanzinha e a leva até a casa da Emma Frost, a rainha branca.

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A partir daí as coisas voltam a ficar interessantes, afinal de contas, quem não gosta de ver um embate entre Jean Grey e Emma Frost? Nesta edição, as duas deixam Frost inconsciente e a Old Jean guia a jovem por dentro da mente da Rainha Branca. Ficamos uma boa parte da edição observando as ilusões e as armadilhas da mente de Emma, incluindo uma piada sobre a história confusa do Xorn ter sido o Magneto. Mas apesar disso, ficamos até o final sem entender as intenções da Old Jean com isso: pegar um dos fragmentos da Fênix que ela escondia. Aliás, como a Emma possuía um dos fragmentos? Em Vingadores vs X-Men, o fragmento que estava com a Emma foi para o Ciclope.

Depois, nos encaminhamos para o final da minissérie. Depois de libertar o fragmento da Fênix, Jeanzinha é possuída por ele e entra em choque. Nesse momento descobrimos qual era o plano da Old Jean. Ela queria que o fragmento servisse como uma “vacina” e assim a jovem estaria acostumada com o poder e estivesse preparada para quando o pássaro de fogo viesse pegá-la como hospedeira. Mas tudo dá errado, ela não consegue controlar esse poder e entra em surto. São necessários vários telepatas (Emma, Cuckoos e Quentin Quire) para aliviar a dor que a fagulha causou. Hope se junta a eles assustada e com péssimas notícias: ela avista a Entidade vindo para a Terra e antes que possam fazer alguma coisa, a Fênix aparece.

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Depois disso,  nós vemos todo o esforço do grupo reunido para lutar contra o pássaro, vemos toda a preocupação materna da Old Jean para preparar a sua versão mais jovem. Mas nada adianta, a garota teve que partir pro confronto sozinho. Ela passou bastante tempo estudando sobre como a ave age, como é a relação dela com os seus hospedeiros, isso faz com que ela se sinta confiante, afinal, ela jamais mataria Jean Grey, é o seu “brinquedo” favorito. Contudo, a jovem não consegue ser forte o bastante para enfrentar a entidade e a Old Jean desesperada toma frente da batalha, implorando para que ela a deixasse em paz porque ela não seria forte o bastante para suportar. Com isso temos a maior reviravolta deste arco: a Força Fênix em nenhum momento quis tomar a jovem como hospedeira, muito pelo contrário, queria eliminá-la. Ao final da edição, a jovem Jean morre e a Fênix vai embora.

Clique nas imagens para ampliá-las.

 

AVISO: Para entender melhor alguns dos acontecimentos da última edição, é interessante que você tenha lido a edição final de “Phoenix Resurrection“, caso não tenha lido, clique aqui para ler a nossa review do arco.

 

Depois de uma curta longa jornada, nós finalmente chegamos ao final da série. Assim como aconteceu na edição #8, boa parte da última HQ também é confusa e demoramos para entender o que está acontecendo. Acompanhamos a Jeanzinha, que morreu na última edição, acreditando que foi parar no inferno, o seu inferno pessoal. Ela enfrenta uma série de desafios, que incluem Magia demoníaca, Rachel farajedora, Sentinelas e um futuro distópico, além do Império Shiar e por último um confronto com a Fênix em um cenário pré-histórico. No final descobrimos do que se tratava, a jovem não estava no inferno, ela foi parar na Sala Branca Incandescente, uma espécie de pós vida para os hospedeiros da Fênix. Acontece que nunca foi a intenção da entidade que ela se tornasse uma hospedeira, então ela não queria a presença da jovem lá, e a jovem também não queria estar. Nisso as duas iniciam um confronto, a Fênix discute sobre ela não ser a “Jean verdadeira”, que era um vaso perfeito e comenta que a morte dela serviu para o propósito de trazer a Old Jean de volta a vida (Phoenix Resurrection #5).

“Você não tem a Fênix. Você não é uma hospedeira. Eu não escolhi você. Você não serve. Você não pertence a este lugar. Sim. Jean Grey é o hospedeiro perfeito. O vaso perfeito. O poder e a influência que ela exerce como Fênix  são incomparáveis. Você não é Jean Grey. […] A verdadeira Jean Grey se juntou a mim de bom grado. Ela abraçou as minhas chamas de braços abertos. Você conspirou contra mim desde o começo. Lutou contra mim e me chutou em todos os momentos. Me forçou a achar um outro jeito. E das suas cinzas outra Jean Grey se ergueu. Uma pura Jean Grey. A verdadeira Jean Grey. Seu tempo aqui acabou e você não permanecerá aqui.”  – Força Fênix, Jean Grey #11.

Ao final da edição, a jovem consegue voltar a vida e vai em direção ao novo Instituto em Madripoor, onde é recebida pelos jovens Homem de Gelo, Anjo, Ciclope e Fera, que tentam conversar com ela, mas a moça está cansada, não quer ouvir, somente descansar e dormir. Quando a jovem chega no seu quarto e deita, finalmente acontece aquilo que nós esperamos este tempo todo.

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De modo geral, podemos dizer que a HQ solo de Jean Grey teve bons e maus momentos. Ela não correspondeu a nossa expectativa de vermos o desenvolvimento da personagem sem a Fênix, mas ao mesmo tempo serviu, assim como Phoenix Resurrection, para dar um fim nessa história de Fênix e finalmente propiciar o encontro entre as duas Jeans. A edição termina dizendo “Fim… mas também [obviamente] um novo começo“. E acredito que é isso que devemos esperar daqui pra frente, um novo começo, não com uma, mas com duas Jean Greys e ambas sem a Fênix.

E vocês, o que acharam dessa HQ? Deixem suas opiniões nos comentários!

Comentários

  • Thomas Lamounier

    Eu acho que tá na hora dessas versões jovens sumirem. Com todos esses X-Men voltando, eles vão ficar sem espaço e chatos (o que eu diria que já estão). Seria muito mais interessante trazer o Ciclope adulto de volta e reunir os X-Men de novo.

  • http://www.planocritico.com/ G. Hoffmann

    Putz, esse lance do fragmento da Emma me deixou bolado também. Era um fragmento do fragmento da Fênix (uma penazinha queimada), é? Enfim…

    Uma ótima análise do título! Concordo plenamente com a conclusão, não foi a exploração da personagem que poderíamos ter tido já de cara, mas sem dúvida foi um primeiro passo bem sólido pra que tenhamos algo do tipo daqui pra frente. Junto a Phoenix Ressurection, achei boas entradas para a história da(s) Jean(s). Muito ansioso por X-Men Red!

  • http://www.planocritico.com/ G. Hoffmann

    Também penso que se for pra sobrarem e ficarem no limbo, melhor voltarem. Lá pelo fim da fase do Bendis eu torcia pra que encerrassem bem essa história toda e boa, mas agora já me acostumei tanto com eles que sei lá…
    E SIM, Ciclope adulto QUANDO???